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Taxa de juros do Plano Agrícola desagrada o agro

“Não atendeu a reivindicação do setor que era de uma redução de 3%. Contudo, levando-se em conta a atual situação do País que não deve permitir novas reduções da Selic (a taxa básica de juros), atualmente em 6,5%, esse é o juro mais acessível que se pode ter”, diz o vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura, Hélio SirimarcoMoacir Neto

A redução de 1,5 ponto porcentual nas taxas de juros do crédito rural, anunciada pelo presidente Michel Temer (MDB), não agradou entidades ligadas ao agronegócio. O setor havia pedido uma queda de 3% nos juros, o que não ocorreu. “Não atendeu a reivindicação do setor que era de uma redução de 3%. Contudo, levando-se em conta a atual situação do País que não deve permitir novas reduções da Selic (a taxa básica de juros), atualmente em 6,5%, esse é o juro mais acessível que se pode ter”, diz o vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Hélio Sirimarco (foto), em conversa exclusiva com a Safra.

Temer e o ministro Blairo Maggi, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) anunciaram o aporte de R$ 194,37 bilhões para financiar e apoiar a comercialização da produção agropecuária brasileira. Os recursos do Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2018/2019 poderão ser acessados pelos agricultores entre 1º de julho deste ano e 30 de junho de 2019.

Para fechar os números do pacote, o governo ouviu o setor. Houve reuniões nas quais o tema foi amplamente discutido. E a SNA, como esclarece Sirimarco, participa ativamente. “Todas as questões urgentes e relevantes para o agronegócio são debatidas no Conselho do Agro, em Brasília, do qual a SNA é membro. Esse Conselho reúne 15 entidades representativas dos produtores rurais de diversos segmentos da agropecuária e foi criado para defender temas de interesse do setor e do País.”

Além da SNA, participam do Conselho a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja Brasil), Conselho Nacional do Café (CNCafé), dentre outras. Ao comentar o volume destinado e levando em conta o anseio do governo por altas produtividades, Sirirmarco lembra que o ministro Maggi afirmou que a necessidade de financiamento do agro brasileiro é calculada em, aproximadamente, R$ 390 bilhões. E que o Plano Safra apresenta R$ 191 bilhões. “Isso significa que estamos menos dependentes do crédito agrícola oficial, e que hoje, praticamente, 50% da produção nacional são aportados graças à chegada de outros agentes para financiar o agronegócio, com a política correta e responsável de redução de taxa de juros. Mostra claramente que, dentro do setor agropecuário brasileiro, os produtores também estão se capitalizando” afirma.

Lembrando a greve dos caminhoneiros, que durou 11 dias e teve reflexos em todos os setores do agro, o dirigente da SNA afirma que o “principal problema diz respeito ao tabelamento dos fretes, que paralisou praticamente todos os mercados. O governo cometeu um grave erro ao intervir num mercado que era absolutamente livre, estabelecendo um preço mínimo. No máximo, deveria mexer no que lhe diz respeito, isto é, nos impostos (reduzindo ou eliminando) e não tentar interferir na lei de oferta e procura”. Sirimarco completa: “Aparentemente, o governo federal vai rever a tabela de fretes, mas não haverá diminuição de valores, e sim uma distribuição melhor entre os eixos dos caminhões. O objetivo, segundo o Ministro dos Transportes (Valter Casimiro) é minorar os valores pagos por quem contratar o serviço. Isso não vai solucionar o problema criado.”

PAP – Do montante anunciado pelo governo, são destinados R$ 151,1 bilhões para o crédito de custeio, sendo R$ 118,8 bilhões com juros controlados (taxas fixadas pelo governo) e R$ 32,3 bilhões com juros livres (livre negociação entre a instituição financeira e o produtor). O crédito para investimentos ficou em R$ 40 bilhões. Além dos recursos de crédito para custeio e para investimentos de R$ 191,1 bilhões, estão sendo destinados R$ 2,6 bilhões para o apoio à comercialização (Aquisição do Governo Federal, contratos de opções, Prêmio para Escoamento do Produto, Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural) e R$ 600 milhões para subvenção ao seguro rural.

O ministro Maggi destacou ganhos de produtividade e de eficiência do setor durante seu discurso. “Na medida em que ficamos mais fortes e presentes no mundo, enfrentamos mais resistências. E concorrentes se voltam contra o Brasil. É nesse momento que o protecionismo mostra suas garras e o país sofre fortemente. Mas o objetivo é continuar a crescer cada vez com o uso da ciência e da tecnologia.”

Greve e rodovias – O índice ABCR de atividade referente a maio de 2018 contraiu 15,0% no comparativo com o mês imediatamente anterior, conforme os dados dessazonalizados. O índice que mede o fluxo pedagiado de veículos nas estradas é construído pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), juntamente com a Tendências Consultoria Integrada.

“A paralisação dos caminhoneiros, centradas entre os dias 21 e 30 de maio, foi o fator determinante para a queda acentuada do fluxo de veículos pedagiados em maio”, explica o analista da Tendências Consultoria Thiago Xavier. “O índice de fluxo total apresentou a maior contração na passagem de mês em toda a série histórica, iniciada em janeiro de 1999, ao considerarmos a série livre dos efeitos sazonais”, conta ele.

Ainda na comparação mensal dessazonalizada, o índice de fluxo pedagiado de veículos leves apresentou redução de 11,4%, enquanto o de pesados contraiu 27,7%, ambos em relação a abril. “Ao examinarmos o desempenho do fluxo de pedágios segundo veículos leves e pesados, nota-se que o impacto foi diferenciado entre os indicadores”, comenta Xavier. “Enquanto o índice de pesados foi afetado mais diretamente e em maior magnitude devido à paralisação generalizada dos caminhoneiros nas principais rodovias do País; o índice de leves foi afetado indiretamente e com menor impacto, visto que a escassez de combustíveis e a obstrução de algumas vias limitaram parcialmente as possibilidades de circulação dos veículos de passeio, sobretudo, nos dias centrais da greve”, analisa Xavier.

Na visão da Tendências Consultoria, tal evento reduziu sensivelmente os ganhos dos indicadores de fluxo adquiridos nos últimos meses, o que tornou negativa as variações anuais acumuladas até aqui (janeiro a maio de 2018 em relação a janeiro a maio de 2017) do índice total e de suas aberturas (leves e pesados), sendo ainda mais acentuada no caso de pesados. No acumulado do ano, o fluxo pedagiado total acumula variação de -1,0% (na mesma métrica até abril a alta era de 2,0%). Também nessa métrica, o fluxo pedagiado de veículos leves acumula contração de 0,9% enquanto o fluxo de pesados acumula redução mais intensa de 1,4% (até abril eles acumulavam expansão de 1,2% e 4,8%).

Por outro lado, como o total de veículos que trafega nas rodovias está relacionada ao número de dias úteis do mês, a maior quantidade em maio deste ano em relação ao ano passado contribuiu para suavizar a queda do fluxo total de veículos. Isso ocorreu porque a perda de aproximadamente nove dias de atividade foi relativizada entre os demais dias do mês, o que deixa a subutilização ocorrida nos dias de paralisação em maio de 2018 relativamente menores.

“De toda forma, os últimos resultados contrariam a trajetória de recuperação do índice observada desde fins de 2016, quando emitiram sinais predominantes de gradual crescimento”, diz Xavier. “Porém, o impacto negativo trazido ao mês deve ser parcialmente recuperado ao longo dos próximos meses, mesmo que alguma parte das perdas não seja revertida”, finaliza.

Portal Revista Safra, com informações do Mapa, SNA e agência

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