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Tabela do frete eleva cesta básica e pressiona inflação

Com base na pesquisa Focus, elaborada todas as semanas pelo Banco Central (BC), a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) saltou de 4,03% para 4,17%, neste ano, reportou a Agência BrasilRescaldo da greve dos caminhoneiros, a aprovação da Medida Provisória (MP 832/2018), que prevê o tabelamento do frete para o transporte de cargas, deve pesar no bolso do consumidor. De imediato, deve trazer impacto no custo da cesta básica do brasileiro e pode provocar aumento da inflação. Isso, em um cenário já bastante pessimista, levando em conta que instituições financeiras consultadas pelo Banco Central (BC) aumentaram pela oitava semana seguida a estimativa para a inflação este ano, conforme reportou recentemente a Agência Brasil.

Com base na pesquisa Focus, elaborada todas as semanas pelo BC, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) saltou de 4,03% para 4,17%, neste ano. Nesse conturbado cenário, vem o alerta do presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Bartolomeu Braz Pereira, durante entrevista coletiva (foto) concedida na Câmara dos Deputados, em Brasília, nesta terça-feira, 10.

O executivo diz que o impacto no custo da cesta básica será de 12%. A elevação decorre da paralisação da comercialização de grãos causada pela indefinição no preço do frete após a greve dos caminhoneiros. Os dados constam de um estudo encomendado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Pereira vai além, ao afirmar que o mesmo estudo aponta que a instituição de um preço fixo para um serviço que costuma ter o custo estimado pela lei da oferta e demanda também vai provocar aumento de 2% na inflação anual, furando o teto da meta estabelecida pelo governo. “O setor produtivo é contra o tabelamento do frete. Infelizmente quem vai pagar essa conta é a sociedade. A dona de casa está gastando mais para comprar alimentos. O feijão já está 20% mais caro. Se tiver frete mínimo, voltaremos aos tempos de inflação alta”, afirma Pereira, que também preside a Federação da Agricultuta e Pecuária de Goiás (Faeg).

Grãos – A greve dos caminhoneiros trouxe impacto direto no mercado de grãos, que está há um mês sem fazer negócios devido à falta de definição do custo do transporte de cargas. Com soja ainda estocada nos armazéns, os produtores enfrentam problemas para guardar a segunda safra de milho, que começa a ser colhida em diversos estados.

Segundo estimativas da Aprosoja Brasil, as exportações de milho, devido ao represamento da produção, cairão, pelo menos, 10%. “A próxima safra está atrasada em função da paralisação da entrega de fertilizantes e corretivos de solo. Os custos de frete dispararam. O frete para leite aumentou 40% e para soja 30%”, acrescentou.

A Frente Parlamentar da Agropecuária e as entidades do setor produtivo são contrários à aprovação do texto atual. A MP 832/2018 está pronta a ser votada no plenário da Câmara após ter sido aprovada em uma Comissão Especial. Além do presidente da Aprosoja Brasil, também se manifestaram contrários à aprovação da MP representantes da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), da Associação Brasileira de Laticínios (Viva Lácteos) e da Associação Brasileira da Indústria de Arroz (Abiarroz).

Portal Revista Safra, com informações da Agência Brasil e Aprosoja Brasil

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