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Retículo Peritonite Traumática (RPT), a doença causada pela ingestão de pontas de arame das cercas pelos bovinos

Outro fator de atenção é a deficiência alimentar de minerais, já que a baixa ingestão de ferro, cálcio, fósforo, zinco e/ou cobalto, favorece a ingestão de corpos estranhos, principalmente restos de arame, pregos, parafusos e outros objetos ricos nesses mineraisRenato Paganelli Jaquetto

A cerca em uma propriedade é essencial não só para delimitar espaços e manter os animais nas pastagens, mas também para ajudar a aumentar a produtividade por meio de divisões dessas pastagens em piquetes menores, resultando assim em pastejo mais homogêneo e de melhor aproveitamento pelos bovinos. Caso não se tome os devidos cuidados, a construção de uma cerca pode causar grandes perdas ao produtor. Um dos principais males é o não recolhimento das pontas de arame que sobram durante a confecção dessas estruturas. O bovino, ao abocanhar o capim, pode levar para o trato digestivo uma dessas pontas de arame e causar um problema chamado Retículo Peritonite Traumática (RPT), que nada mais é que uma perfuração do trato digestivo por um corpo estranho, representado em sua maioria (76%) por ingestão de pontas de arame¹.

Outro fator de atenção é a deficiência alimentar de minerais, já que a baixa ingestão de ferro, cálcio, fósforo, zinco e/ou cobalto, favorece a ingestão de corpos estranhos, principalmente restos de arame, pregos, parafusos e outros objetos ricos nesses minerais.³ A RPT também pode acometer ovinos e caprinos, porém com frequência menor que nos bovinos, pois a ingestão é mais lenta e seletiva quando comparada com os bovinos.

Ao perfurar o retículo do animal, o corpo estranho leva a uma reação inflamatória localizada e aguda, que, dependendo do local da perfuração e profundidade, pode levar a sintomas variados. Caso a perfuração seja menos profunda, a doença (RPT) será mais branda, levando o animal à perda de peso e, no caso de vacas leiteiras, à diminuição da produção – sinais clínicos em vacas leiteiras são menos perceptíveis, e muitas vezes não detectados. Já perfurações mais severas podem causar pericardites (perfuração da parede do coração) e pleurites (perfuração da parede do pulmão), podendo levar a uma septicemia e, consequentemente, a óbito do animal.

Caso haja suspeita de RPT, o pecuarista deve procurar um médico veterinário de confiança para que ele faça um exame mais detalhado. Geralmente, o tratamento é cirúrgico, com a retirada do corpo estranho. Porém, nos casos mais brandos apenas o tratamento clínico deve ser feito. Para se evitar a RPT, a melhor forma é não deixar pontas de arames jogadas nos pastos, orientando o responsável pela construção da cerca a sempre recolher as pontas de arame e guarda-las em um local sem acesso para os animais. Evitar a proximidade dos animais em áreas em construção ou de terrenos com entulhos também é uma importante precaução. Tomando essas medidas, a cerca continuará sendo uma das melhores ferramentas para aumentar a produtividade da propriedade, sem se tornar um problema.

Renato Paganelli Jaquetto é médico veterinário e analista de mercado da Belgo Bekaert Arames

Referência Bibliográficas:

1 – ANDERSON, N. V. Veterinary gastroenterology. 2.ed  Malvern: Lea & Febiger, 1992. 873p.

2 – MERCK VETERINARY MANUAL, 8.ed., New Jersey: Merck & CO., Inc., 1998.

3- MARTINS, A.M.C.R.P.F. et al. Presença de corpos estranhos habituais no aparelho digestório dos bovinos. São Paulo, 2004.

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