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Relatório da CNI aponta incertezas na recuperação da economia

“O jogo do comércio internacional é complexo e cheio de detalhes. As autoridades diplomáticas e comerciais do nosso País têm de estar sempre atentas. E o agronegócio deve ficar próximo destas autoridades fazendo um monitoramento constante do mercado internacional, dos acordos em blocos comerciais ou mesmo entre nações isoladamente.”
Moacir Neto, com agência

A crer nas previsões oficiais, a economia brasileira terá, neste ano, desempenho moderado. Mas isso não significa, até o momento e no pior dos cenários, desaceleração ou enfraquecimento. É o que aponta a Confederação Nacional da Indústria (CNI), ao divulgar o relatório Informe Conjuntural do primeiro trimestre, no qual mantém as incertezas em relação às eleições e ao ajuste das contas públicas, que dificultam a recuperação econômica do País.

A estimativa é que o Produto Interno Bruto (PIB) do País cresça 2,6%, o PIB industrial tenha expansão de 3%, que os investimentos aumentem 4% e o consumo das famílias, 2,8%. A taxa média de desemprego deverá ficar em 11,8%. “Penso que a nossa economia começa a dar sinais de mais estabilidade. Passamos pelo turbilhão do julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal, que julgou o habeas corpus do ex-presidente Lula), decretação de prisão do ex-presidente e não observamos nenhum baque econômico relevante”, diz o advogado Evandro Grili (foto), sócio de Brasil Salomão e Matthes Advocacia, além de diretor da Área Ambiental do escritório. Ele conversou com a reportagem da Safra por e-mail, na manhã de sexta-feira, 13.

Para Grili, a prisão do ex-presidente Lula, que cumpre pena na Polícia Federal (PF), em Curitiba (PR), não deve ter muitos reflexos na economia e, inclusive, no agronegócio. “Ao que parece, a economia e o mercado financeiro já haviam calculado esses acontecimentos e não vivenciamos nenhum tipo de ajuste brusco. Creio que estes fatos não vão ser muito determinantes para o cenário econômico. Talvez o reflexo que eles possam ter nas eleições, esse sim, podem gerar mais solavancos na economia. Vamos ter que aguardar.”

O advogado acredita que os desdobramentos do caso no STF mostra que “estamos dando uma prova de que as nossas instituições funcionam, que pessoas condenadas cumprem as penas que lhe são impostas, independentemente de suas posições e cargos políticos”. Grili lembra que há vários políticos presos. “O ex-presidente da Câmara dos Deputados (Eduardo Cunha) está na cadeia, o ex-governador do Rio de Janeiro (Sérgio Cabral, do PMDB) também. Há ex-ministros, deputados, empresários de alto escalão que foram parar atrás das grades. E, no meio de tudo isso, temos conseguido, ainda muito lentamente, melhorar os nossos níveis econômicos.”

Há, na avaliação de Grili, uma previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 3% neste ano, a inflação está baixa, os juros são os menores dos últimos tempos. “Voltamos a caminhar e não creio que estes fatos nos tirem do rumo mais.” Em relação ao cenário global, no que tange a acordos bilaterais e que afetam diretamente o agronegócio, o advogado diz que esse é um ponto que merece atenção. “O jogo do comércio internacional é complexo e cheio de detalhes. As autoridades diplomáticas e comerciais do nosso País têm de estar sempre atentas. E o agronegócio deve ficar próximo destas autoridades fazendo um monitoramento constante do mercado internacional, dos acordos em blocos comerciais ou mesmo entre nações isoladamente.”

Conforme o relatório da CNI, mesmo com o cenário externo favorável, a queda da inflação e a redução dos juros, o ritmo de recuperação da economia é moderado e o País não conseguirá recuperar as perdas causadas pela recessão no médio prazo. “Mesmo com o crescimento de 1% do PIB em 2017, ainda estamos com renda per capita 8,2% menor do que em 2014 e a produção industrial, no início de 2018, situa-se ainda 14% abaixo do seu pico observado em 2013”, assegura o estudo.

Na avaliação da CNI, a principal causa da fraca reação da economia é a indefinição sobre o ajuste permanente das contas públicas. Além do adiamento da reforma da Previdência, a falta de definição do quadro eleitoral é outra fonte de incertezas sobre o ajuste fiscal. O informe da instituição alerta que o grande desafio do Brasil é aumentar a produtividade. Isso requer, segundo o documento, o equilíbrio fiscal, a reforma da Previdência e tributária, disponibilidade de financiamento de longo prazo, redução da burocracia, segurança jurídica e modelos de regulação eficientes, entre outras medidas.

Previsões – O relatório da CNI aponta outras estimativas sobre a evolução da economia. “A inflação deve permanecer em níveis baixos em 2018 em função da ainda alta ociosidade da economia, da elevada taxa de desemprego e da quebra da inércia inflacionária ocorrida em 2017.” A estimativa é que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará o ano em 3,7% ao ano, abaixo do centro da meta de 4,5% estabelecida pelo Banco Central, o BC.

Segundo a CNI, com a inflação baixa, os juros básicos da economia permanecerão no menor patamar da história. A taxa Selic chegará ao fim de 2018 em 6,25% ao ano e a taxa real de juros será de 3%. O déficit primário do setor público deve alcançar R$ 152,7 bilhões, o equivalente a 2,19% do PIB. “Apesar de estar abaixo da meta de R$ 161,3 bilhões fixada para este ano, o déficit será maior do que os R$ 110,6 bilhões registrados em 2017”, afirma o relatório. A dívida pública atingirá 73,7% do PIB. Já no saldo comercial, a previsão da CNI é que o País terá um superávit comercial de US$ 58 bilhões neste ano, resultado de exportações de US$ 230 bilhões e importações de US$ 172 bilhões. O Informe Conjuntural do primeiro trimestre está disponível na página da CNI .

Portal Revista Safra, com informações da Agência Brasil e Advice Comunicação Corporativa

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