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Congresso em Goiânia debate tendências de mercado da soja

A 8ª edição do congresso da soja conta com 11 palestrantes internacionais, além de 4 conferências plenárias, 16 painéis temáticos e 49 palestras, com os mais diversos temas envolvendo a cadeia produtiva da oleaginosa
Moacir Neto

Falando a um público de mais de 2 mil pessoas, o engenheiro agrônomo Alexandre Mendonça de Barros, também doutor em Economia Aplicada pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), fez na noite desta segunda-feira, 11, no Centro de Convenções de Goiânia, um panorama do mercado da soja. A palestra, dentro da programação do 8º Congresso Brasileiro da Soja, debateu as tendências para a oleaginosa, hoje o carro-chefe do agro brasileiro.

“Tivemos safras relativamente boas. Mas teve o problema da Argentina. Se olharmos para a China, para a Europa e para o Leste europeu, há um movimento muito forte de demanda por proteína animal. A soja, ingrediente fundamental desta indústria, segue muito pressionada” ressalta o palestrante.

O algodão está em um momento extraordinário. A demanda de algodão deve crescer acima de 5% neste ano. O crescimento mundial será contestado nos próximos anos, embora hoje sejam os Estados Unidos o grande foco desta preocupação. “Mas, neste momento, os Estados Unidos têm sido um indutor muito forte.” O impulso gerado pelas políticas macro norte-americanas afeta o dinamismo da cadeia de soja brasileira. E a estratégia chinesa de trazer alimento de fora e manter a estabilidade é uma medida dos últimos 20 anos. “Interessante ver a importância dos chineses para nós, brasileiros, e ver a relação umbilical das nossas economias”, lembra.

Barros também diz que dados recentes corroboram que os primeiros passos que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu fazem a economia caminhar por um outro rumo, com taxa de desemprego local de 13%. O Banco Central americano tem duas metas objetivas, ou seja, que a inflação se sustente num patamar de 2% e que o desemprego fique ao redor dos 4%. “Quando o desemprego vem abaixo de 4%, os preços começam a subir. E os preços começaram a subir fortemente.”

Trump, analisa, prometeu empregos e decidiu por uma política protecionista, que cria barreiras e eleva os preços internos de todos os produtos que terão sobretaxa para entrar nos Estados Unidos. Ele também prometeu melhorar o emprego, inibindo a entrada de imigrantes. O não ingresso de imigrantes faz o salário subir e o consumo do norte-americano acompanhar o ritmo. Terceira política forte do Trump, diz Barros, foi cortar impostos das companhias americanas. De fato, o primeiro trimestre deste ano indicou que o investimento cresceu 7%. “A combinação desses fatores gerou a volta da inflação. O mundo inteiro começou a olhar para os Estados Unidos e dizer que a taxa de juros vai subir”, diz.

Atualmente, lembra ele, as américas representam 90% do cenário da produção de soja em todo o mundo. Por outro lado, o preço da oleaginosa na bolsa de Chicago não aumentou muito neste ano. “Houve enfraquecimento do Real ante o dólar. A soja é cotada em dólar nos Estados Unidos e os preços da soja cresceram muito no Brasil. Colhemos a melhor safra de soja. Foi uma safra feita com custos de produção extremamente baixos. Nos últimos cinco, seis anos, safra com custos muito baixos.” A desvalorização do Real, a quebra da Argentina e a política protecionista do Trump mexeram nos preços no mercado interno.

A 8ª edição do congresso da soja conta com 11 palestrantes internacionais, além de 4 conferências plenárias, 16 painéis temáticos e 49 palestras, com os mais diversos temas envolvendo a cadeia produtiva. Destaque para os principais desafios na produção de soja e a agricultura 4.0, representada pelas novas tecnologias empregadas nos processos produtivos. E, ainda, apresentação de 340 trabalhos técnico-científicos que serão avaliados por comissão julgadora e serão premiados no final do evento. Houve remanejamentos nos horários das palestras, tendo em vista que palestrantes internacionais perderam o voo nos Estados Unidos.

“É possível que o Brasil, muito em breve, se torne o maior produtor de soja do mundo. Estamos na busca do aprimoramento para que possamos avançar mais. O agronegócio tem possibilidade de superávit da balança comercial. A soja é o carro-chefe, que contribui para o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) das regiões produtoras, aumentando a qualidade de vida das pessoas nas regiões produtivas”, afirma o presidente da comissão organizadora do congresso, Alexandre Cattelan.

Mais adiante, Cattelan disse que a cultura da soja tem abrangência e importância nacional. “Estamos falando em termos de Brasil. Em função disso, (a cultura) possui caráter estratégico para o País, e, portanto, não pode ser pensada de forma fragmentada. Existem peculiaridades, em diferentes condições de produção. Estas estratégias devem ser tratadas em âmbito nacional.”

Revelando o otimismo com o congresso, até mesmo pelos temas que serão debatidos durante os quatro dias, Cattelan afirma que espera que o ciclo da soja não se encerre ou dure muito tempo. “Para isso, é preciso uma articulação com os países vizinhos. Sem estratégia unificada, isso deixa de ser eficiente. A pesquisa tem investido muito em conhecimento.”

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