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Comissão de Agricultura do Senado debate crise da avicultura em Goiás

“Estamos atravessando momentos difíceis, em função da queda provocada pelas operações da Polícia Federal, sobretudo a Carne Fraca. Tivemos problema de abastecimento de milho e a recente paralisação dos caminhoneiros, o que afetou grandemente o setor”, afirma o presidente da Associação Goiana de Avicultura (AGA), Cláudio Almeida FariaMoacir Neto

O problema se arrasta desde o ano passado, logo após a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal (PF). Sim, a avicultura em Goiás passa por um período difícil, agravado pela recente greve dos caminhoneiros. Antes, houve também o problema do abastecimento de milho. A questão preocupa e será debatida nesta terça-feira, 12, às 11 horas, pela Comissão de Agricultura do Senado Federal.

“Estamos atravessando momentos difíceis, em função da queda provocada pelas operações da Polícia Federal, sobretudo a Carne Fraca. Alguma empresa teve restrições (nos processos de produção). Tivemos problema de abastecimento de milho e a recente paralisação dos caminhoneiros, o que afetou grandemente o setor”, afirma o presidente da Associação Goiana de Avicultura (AGA), Cláudio Almeida Faria. Hoje pela manhã, enquanto se dirigia a Brasília para participar da audiência pública, ele conversou com a reportagem da Safra por telefone.

A Comissão debate a interrupção do abatimento de aves em municípios goianos pela empresa BRF. Em Mineiros, no sudoeste goiano, 90% das granjas estão paralisadas. A audiência pública foi requerida pela senadora Lúcia Vânia (PSB-GO) e vai contar com a presença do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Baggi, do superintendente do Banco do Brasil (BB) em Goiás, Marco Antônio Sanches, do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, e de executivos da BRF.

A atuação, os problemas e as perspectivas da BRF em Goiás serão debatidos na Comissão. Além de Mineiros, a empresa também reduziu o abatimento de aves em Rio Verde (no Sudoeste goiano) e interrompeu o fornecimento de insumos e aves para os avicultores. Com essa recessão nas atividades, a BRF já concedeu férias coletivas para funcionários dos frigoríficos dos municípios do Sudoeste do estado.

Como reflexo, os avicultores estão receosos com a paralisação total da produção. Em visita ao município de Mineiros (foto), a senadora Lúcia Vânia constatou o problema e ouviu a preocupação dos produtores do sudoeste goiano. Segundo o presidente da Associação dos Avicultores Integrados de Mineiros, Aloir da Silva, mais de 500 avicultores estão aguardando uma definição da BRF. “O setor possui uma extensa cadeia produtiva responsável pela geração de emprego e renda. Os avicultores não podem ficar reféns dessa situação”, afirmou a senadora goiana.

Em Mineiros, o abatimento de perus foi reduzido de 32 mil por dia para 9 mil. “Hoje vivemos um período de incerteza e falta de previsibilidade”, explica. Os fornecedores realizaram investimentos nas granjas por meio do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO) e estão preocupados com o pagamento do financiamento. Desde o início da crise já foram demitidos funcionários de granjas e da indústria de Mineiros, município que tem mais de 2 mil empregos diretos ligados ao setor de aves. As demissões e paralisação das atividades em toda a cadeia produtiva acaba gerando um impacto social, uma vez que a economia da região gira em torno da produção de aves.

Histórico – A BRF é uma das maiores companhias de alimentos do mundo e conta com mais de 30 marcas, entre elas Sadia e Perdigão. A empresa reúne mais de 13 mil produtores integrados, mais de 30 mil fornecedores (4 mil apenas de grãos, farelos e óleos) e 240 mil clientes em todo o mundo. A empresa esteve envolvida na Operação Carne Fraca, deflagrada pela PF em março de 2017, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa liderada por fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio. A operação detectou, em quase dois anos de investigação, que as superintendências regionais do Mapa no Paraná, Minas Gerais e Goiás atuavam diretamente para proteger grupos empresariais, em detrimento do interesse público.

Os agentes públicos, utilizando-se do poder fiscalizatório do cargo, mediante pagamento de propina, atuavam para facilitar a produção de alimentos adulterados, emitindo certificados sanitários sem qualquer fiscalização efetiva, desrespeitando a legislação vigente. A audiência da Comissão de Agricultura tem início às 11h na sala 7 da ala Alexandre Costa.

Portal Revista Safra, com informações da Agência Senado

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