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Agricultura faz as pazes com o Ambiente

Marcelo Barreto da Silva, professor da Universidade Federal do Espírito Santo, coordenador do Programa Agro+: por uma agricultura mais sustentável

Ou seria: Ambiente faz as pazes com a Agricultura? Sem dúvida, ambiente e agricultura sempre se misturam, afinal estão juntos no tempo e espaço. Notória é a necessidade urgente de que seja estabelecida a paz entre ambientalistas e agricultores e vice-versa. Se ambos os grupos alargarem sua forma de pensar e tiverem um pouco de boa vontade, perceberão que não há razão para o confronto. Afinal, um precisa do outro. Uma agricultura forte, precisa de um ambiente preservado e não há como preservar o ambiente sem a participação dos agricultores. A divisão e a polarização enfraquecem os dois lados e impede o desenvolvimento do país.

Os dados mostram que a evolução da produção do Brasil nos últimos 30 anos deu-se basicamente pelo aumento da produtividade em detrimento da área plantada, que se manteve praticamente estável ao longo dos anos. Esta tendência se mantém para o futuro, ou seja,é possível continuar atendendo a demanda produtiva do setor agrícola sem o avanço em novas áreas e sem derrubar florestas. Somente considerando a área ocupada por pastagens degradadas é possível melhorar, segundo dados da EMBRAPA, a produtividade em 130 milhões de hectares, seja pela adoção de novas tecnologias para a produção de carne como a Interação Lavoura Pecuária Floresta (ILPF), seja a produção agrícola tecnificada.

A informação acima nos indica que a atividade que mais ameaça a integridade da floresta amazônica brasileira é a extração ilegal de madeira para atender demandas tanto do mercado interno quanto externo, bem como a grilagem de terras. A derrubada das árvores para extrair madeira sem critério e sem um plano de manejo é sim, uma atividade que carece de ser monitorada de perto e coibida com o rigor da lei.

Ainda não exploramos adequadamente a produção de madeira de lei, seja por exploração sustentável de florestas naturais, seja por plantio de árvores nobres de forma comercial. Uma política que viabilize a produção de madeiras nobres por grandes empresas em investimentos de 50 a 60 anos deveria ser bem estruturada para consolidar esta vocação tropical de produzir madeira.

A agricultura depende de água de qualidade, reserva biológica, solo preservado, insetos polinizadores e inimigos naturais para garantir a produção. A seca dos últimos anos serviu de alerta de que algo foi esquecido, de que alguma coisa foi feita em excesso e que o planejamento dentro desta base de preservação e suporte do meio ambiente é essencial.

Talvez, o que os movimentos ambientalistas não sabem, ou não querem saber, é que o campo já tem dado sinais de conciliação entre preservação e produção. Este processo demanda tempo e muitos recursos, que deverão vir da própria produção agrícola, afinal sustentabilidade tem seu viés econômico.

Quem sabe mudamos a agenda ambiental e, em vez de procurar os maus exemplos, procuremos os bons exemplos onde a agricultura convencional vive em parceria com o ambiente em que se encontra. Os bons exemplos necessitam de visibilidade e seu produto valorizado pelo público consumidor. Em outras palavras, está na hora de ter uma agenda positiva e um ciclo virtuoso de promoção dos exemplos positivos do campo, para caminharmos em direção a uma nação mais rica e próspera. Pra frente Brasil!

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