Home » Notícias » Agricultura 4.0 é debatida no 8º Congresso de Soja

Agricultura 4.0 é debatida no 8º Congresso de Soja

“Os satélites não vão apenas gerar dados de imagem de telefone, vão gerar também informação multiespectral, a mesma tecnologia que a gente usa para olhar estrelas, olhar o espaço sideral”, afirma o palestrante da IBM Claudio Pinheiro
Moacir Neto

O que mais o cliente de agronegócio, ou seja, o produtor, procura? Sim, o segmento que muito contribui para a formação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro já está inserido na agricultura 4.0. E os produtores, engenheiros agrônomos e demais entes da cadeia produtiva buscam, sim, tracking and foot print, blockchain, seguros paramétricos (no caso dos silos) e ainda soluções em processos agroindustriais, comercialização e logística.

“Essa coisa da agricultura digital, ela tem muitos atores envolvidos. O nosso agrônomo digital é o cara que está entrando agora na faculdade. Além do manuseio do dia a dia com a ferramenta, ele precisa entender até de rede neural. No futuro, se a gente conseguir aliar dentro das universidades de engenharia agronômica esse cara, a gente consegue estar muito à frente no mercado. O agrônomo digital, com política pública, é produzir massa de agrônomos que entendem de processamento de dados”, afirma o executivo Herlon Oliveira, da Agrusdata. Ele proferiu palestra sobre internet das coisas, na tarde desta quinta-feira, 14, no 8º Congresso Brasileiro de Soja.

Logo em seguida, o palestrante Claudio Pinheiro, da IBM, falou que atualmente é possível, com base em dados e em ferramentas tecnológicas, saber quanto de saliva a vaca produz ou quantas folhas há em um eucalipto. “Tudo isso está gerando um volume enorme de dados. E estamos vendo claramente que este volume vai necessitar claramente de tecnologias do tipo de inteligência artificial, um gerenciamento de dados e algoritmos relacionados à internet das coisas para vocês extraírem valor disso”, afirma.

Tecnologias cognitivas do tipo inteligência artificial vão permitir consumo de conhecimento de forma bastante inovadora, acredita Pinheiro. Hoje, a maioria dos dados é na forma não estruturada. Ou seja, texto. E também fotos, satélites. “Nessa indústria, vamos ter um volume na ordem de até 50 zettabyte. Um bilhão de terabyte corresponde a um zettabyte.”

Há uns dez anos, o número de satélites que eram enviados ao espaço era pequeno. Só em 2017, foram mais de 80 satélites lançados. “Os satélites não vão apenas gerar dados de imagem de telefone, vão gerar também informação multiespectral, a mesma tecnologia que a gente usa para olhar estrelas, olhar o espaço sideral. É como se tivesse uma foto para cada parte do espectro relacionado. Serão centenas de imagens, com ondas eletromagnéticas diferentes. O volume de dados que isso gera é muito grande.”

O que se fala de dados em agricultura digital? Pinheiro responde: “Se você usar todas essas tecnologias, vamos olhar uma faixa de 15 gigabytes de dados por ano. O que a maioria das pessoas quer é recomendação na tomada de decisão, e não um grande volume de dados para ficar analisando”, reflete.

Os sistemas, acredita, vão começar a emergir mais e mais e o potencial é muito grande. Há, para sustentar a afirmação, modelos claros que, combinados, podem ajudar a até duplicar a produção em culturas com potencial para isso. Na genética, por exemplo, será possível realizar o sequenciamento genético, mapeamento genômico-fenótipo e também o desenvolvimento de sementes usando análises genômicas. “Inteligência artificial vai vir para ficar, pois não temos outra alternativa. Ou vamos desperdiçar os dados ou você vai ter de usar esse tipo de tecnologia para te auxiliar de forma automática na hora da tomada de decisão”, fala, lembrando a explosão de dados da atualidade.

A IBM possui plataforma para a tomada de decisão no agronegócio (IBM Decision Platform for Agribusiness). “Pensamos que o ideal é se criar uma plataforma que, primeiro, permita esses dados serem colocados numa nuvem.” A IBM também desenvolve plataforma para integrar dados da cadeia do agronegócio e acelerar a transformação digital no campo. Blockchain aplicado ao rastreamento de grãos também é outro foco de atenção da companhia. “Dados diretos da máquina entram no blockchain e são imutáveis. Já fazemos isso para várias outras culturas e isso vai ajudar muito em redução de fraude e melhora de preço para quem quer mais qualidade”, diz.

Ferrugem da soja – As estratégias futuras para o combate à ferrugem asiática da soja foram discutidas em um painel realizado ontem (quarta-feira, 13), durante o 8º Congresso Brasileiro de Soja, em Goiânia (GO). Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Basf mostraram diferentes avanços tecnológicos que auxiliarão os produtores nos próximos anos, mas foram unânimes em dizer que o controle da doença só será possível integrando diferentes ferramentas e ações de manejo.

A ferrugem asiática é a doença de maior impacto na cultura da soja no Brasil. Presente em todas as regiões produtoras, se não controlada, pode causar perdas de 30% a 90% da produção. Estima-se que por ano, os produtores brasileiros gastem cerca de US$ 2,2 bilhões com aplicação de fungicidas para controlar a doença.

Atualmente o controle é feito principalmente com o uso de fungicidas, porém, devido à grande capacidade mutagênica do fungo e à sua variabilidade genética, os produtos disponíveis no mercado estão perdendo sua eficiência ano a ano. Estratégias de manejo também são adotadas para reduzir a reprodução do fungo, como a adoção de períodos de vazio sanitário e o estabelecimento de épocas de plantio.

Outra forma de combater a doença é com o uso de cultivares resistentes. Atualmente já há dois materiais no mercado brasileiro e pesquisadores trabalham no lançamento de novas cultivares. Para o professor da UFV Sérgio Brommonschenkel, é preciso que as novas cultivares combinem mais de um gene de resistência, de modo a garantir maior durabilidade na eficiência dos materiais. Para encontrar esses genes, pesquisadores trabalham com diferentes frentes. Uma delas é buscando em outras leguminosas não hospedeiras do fungo, como o feijão-guandu e feijão comum, por exemplo.

Utilizando tecnologias de clonagem, edição gênica e transgenia, o objetivo é o de conferir à soja a resistência à doença sem deixar de lado características de alta produtividade e resistência a herbicidas e a pragas. “O gene tem que funcionar quando transferido para a soja, tem que conferir resistência a um amplo espectro e tem que ter mecanismos de ação diferentes”, resume o professor da UFV.

A pesquisadora da Basf Karen Century mostrou o trabalho que é desenvolvido pela empresa para o desenvolvimento de cultivares resistentes. Otimista com os resultados obtidos nos testes de campo, confirmou para a próxima década o lançamento no mercado. “Estamos em busca de uma solução durável, que gere segurança para os produtores. A solução está no uso de tecnologias e diferentes formas de ação. Só assim será possível dar mais segurança ao produtor”, disse a pesquisadora norte-americana.

Outra linha de ação dos cientistas está na busca por alternativas por meio do melhor conhecimento do fungo Phakopsora pachyrhizi. Como ele tem elevada variabilidade genética, é preciso entender os mecanismos de ação para encontrar possíveis formas de evitá-las. Nesse sentido, pesquisadores identificaram 851 proteínas que o fungo injeta no tecido vegetal. Isoladas, as proteínas foram testadas como forma de se saber quais delas provocam reações de defesa da planta. Esse conhecimento, juntamente com a finalização do sequenciamento genômico do fungo possibilitarão trabalhos em busca de se encontrar formas de silenciar os efeitos danosos do microrganismo. “Quanto mais a gente conhecer o fungo e pudermos explorar as opções que nós temos, mais chances teremos de sucesso no combate à ferrugem asiática”, afirma a pesquisadora da Embrapa Soja Francismar Marcelino.

Congresso – O 8º Congresso Brasileiro de Soja é realizado pela Embrapa Soja e conta com a participação de cerca de 2,3 mil pessoas de diferentes segmentos da cadeia produtiva da soja. O evento teve início na última segunda-feira, 11, e será encerrado nesta quinta-feira, 14. Ao longo dos quatro dias, a programação conta com cinco conferências, 16 painéis temáticos, 50 palestras, além de 340 trabalhos científicos apresentados em forma de pôsteres.

Portal Revista Safra, com informações da Embrapa

O post Agricultura 4.0 é debatida no 8º Congresso de Soja apareceu primeiro em Portal Revista Safra.

Powered by WPeMatico

Check Also

Comitiva de cinco países conhece produção de café e lácteos em Minas

Durante três dias, o grupo visitará fazendas, a Associação dos Produtores de Queijo Canastra (Aprocan), ...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *